Split payment: testes começam em 15 de outubro; veja como as empresas devem se preparar


Postada em : 13/10/2026

Split payment: testes começam em 15 de outubro; veja como as empresas devem se preparar

A partir de 15 de outubro começam os testes de integração da Plataforma Pública do split payment. Na primeira etapa, participam os Prestadores de Serviços de Pagamento (PSPs) e a plataforma criada para operacionalizar o novo modelo de recolhimento da Reforma Tributária.

De acordo com a Receita Federal, os testes serão feitos em ambiente controlado, sem efeito sobre operações reais ou consumidores. Nenhuma transação será concluída de forma definitiva nessa fase e os participantes não ficam sujeitos a penalidades.

Embora os primeiros testes sejam voltados aos PSPs, as empresas que realizam operações sujeitas ao IBS e à CBS também terão de adaptar processos e sistemas à nova sistemática.

A expectativa é que o split payment passe a funcionar no segundo semestre de 2027, de início como opção nas operações entre empresas, no modelo B2B.

O que a empresa precisará informar

Um dos principais pontos de atenção será a ligação entre a operação comercial, o documento fiscal e o pagamento.

Para usar o split payment, comprador ou vendedor deverá informar ao meio de pagamento o valor do IBS e da CBS em reais, junto com o número do documento fiscal da operação. Esses dados servirão para definir quanto dos novos tributos será separado no momento da liquidação financeira.

Se os campos não forem preenchidos, a transação poderá ser concluída normalmente, mas sem a separação dos tributos pelo mecanismo. Na prática, as empresas precisarão assegurar que seus sistemas relacionem corretamente a venda, o documento fiscal e o pagamento correspondente.

Sistemas fiscais e financeiros precisarão conversar

A mudança aumenta a necessidade de integração entre as áreas fiscal, financeira e de tecnologia.

Hoje, a empresa emite a nota fiscal, recebe o pagamento e só depois apura e recolhe os tributos. Com o split payment, parte desse fluxo passará a acontecer na liquidação financeira.

Por isso, uma das principais medidas de preparação é consultar os fornecedores de sistemas de gestão, de emissão fiscal e de meios de pagamento sobre como será feita a adaptação ao novo modelo.

Também será preciso acompanhar as especificações técnicas divulgadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS. A documentação com os procedimentos e padrões operacionais da Plataforma Pública do Split Payment já foi aprovada pelos dois órgãos.

Haverá dois modelos de split payment

O funcionamento não será igual para todos os meios de pagamento. Segundo o manual da ferramenta, estão previstos dois modelos.

Split inteligente

Esse modelo será usado nos meios em que o preenchimento das informações depende do comprador, como transferências via TEF ou TED e Pix por chave ou QR Code estático.

Nesses casos, o recolhimento será calculado com base no valor informado na operação, sem consulta aos órgãos de governo. Se for retido um valor maior que o tributo devido, o fornecedor deverá ser ressarcido em até três dias úteis.

Split superinteligente

O segundo modelo vale para os meios de pagamento em que o vendedor informa os dados da operação, como boleto, Pix com QR Code dinâmico e Pix Automático.

Nessa modalidade, o banco consultará a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS para saber se o tributo já foi quitado por outra via, como o abatimento com créditos, e se a separação ainda é necessária.

O que as empresas devem fazer agora

A primeira fase de testes não exige que as empresas em geral entrem na plataforma, pois o cronograma da Receita Federal se dirige, de início, aos prestadores de serviços de pagamento.

Ainda assim, o período pode ser usado para revisar processos internos. Entre os principais pontos estão:

  • mapear os meios de pagamento usados nas operações;
  • verificar a integração entre sistemas fiscais, financeiros e de pagamento;
  • garantir a vinculação entre documentos fiscais e pagamentos;
  • acompanhar as atualizações técnicas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS;
  • avaliar como os valores de IBS e CBS serão informados nos processos de venda;
  • simular os impactos da separação dos tributos no fluxo financeiro.

A preparação antecipada é importante porque o novo modelo altera a relação entre faturamento, pagamento e recolhimento de tributos.

MEI fica fora das operações com separação de IBS e CBS

A separação pelo split payment diz respeito aos novos tributos da Reforma Tributária, IBS e CBS. Por isso, operações sem esses tributos não terão valores a serem separados pelo mecanismo.

Testes não significam início da cobrança

O começo dos testes em 15 de outubro não representa a entrada em funcionamento do split payment nas operações comerciais. A fase inicial tem caráter técnico e busca validar a comunicação entre os prestadores de serviços de pagamento e a Plataforma Pública. A Receita Federal informou que a etapa não afetará operações reais.

Os demais PSPs que não participarem da primeira fase poderão se inscrever a partir de 16 de novembro de 2026. Formulários e orientações para essa etapa serão disponibilizados a partir de 13 de novembro.

Para as empresas, portanto, o principal movimento neste momento é acompanhar a regulamentação e começar a preparar os sistemas e processos que terão de conectar documento fiscal, tributos e pagamento quando o split payment entrar de fato em operação.

Fonte: Com informações de Contábeis